SC registra maior mortandade de pinguins em 11 anos e pesquisadores buscam respostas
SC registra maior mortandade de pinguins em 11 anos Em Santa Catarina, 1910 pinguins-de-magalhães já foram encontrados mortos em 2026, segundo o Projeto de Mo...
SC registra maior mortandade de pinguins em 11 anos Em Santa Catarina, 1910 pinguins-de-magalhães já foram encontrados mortos em 2026, segundo o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). O número, divulgado na sexta-feira (19), é o maior acumulado para o primeiro semestre desde 2015, quando o trabalho de contagem começou. Embora a morte de parte das aves durante o período migratório seja esperada, o volume tem preocupado pesquisadores como André Barreto, coordenador-geral do PMP-BS de Santa Catarina e do Paraná (veja mais abaixo). "A gente costuma ter, para junho, por volta de 1,2 mil, 1,3 mil, que é o máximo que a gente já teve. A nossa média é em torno de 350. Então, realmente ,é um número que está nos chamando atenção", declarou Barreto. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp VÍDEO: Pinguins ‘passeiam’ de barco e saltam no mar após reabilitação em Florianópolis A maioria das aves mortas, cujo nome científico é Spheniscus magellanicus, foi encontrada em junho (veja tabela abaixo). Pinguins-de-magalhães encontrados em SC em 2026 Pinguins-de-magalhães encontrados mortos em Santa Catarina PMP-BS/R3 Animal/Divulgação Carcaças passam por necropsia O coordenador-geral do PMP-BS de Santa Catarina e Paraná, André Barreto, explicou que mortes de pinguins-de-magalhães em território catarinense são esperadas. Isso ocorre por causa da migração da espécie, que vive em colônias na Patagônia argentina e, a partir de meados de abril, vem em direção ao litoral brasileiro. Essas aves são encontradas mortas nas praias em maior quantidade em junho, julho e, no pico do deslocamento, em agosto. 🔎 Pinguins jovens, exaustos da jornada, costumam formar o maior grupo entre as aves da espécie encontradas mortas no estado. Cerca de 90% desses animais em óbito no território catarinense são juvenis, conforme Barreto. "A maior parte da mortalidade é causada pelo próprio esgotamento do animal do processo migratório. Tem o que os veterinários chamam de síndrome do pinguim encalhado, que são animais que já chegam muito fracos, com pouca quantidade de gordura, muito debilitados", explicou o coordenador. Os dados são baseados no trabalho diário feito pelo projeto. "A gente todo dia está com as equipes em campo, indo para praia, e isso garante para gente uma estabilidade da nossa informação", explicou o coordenador. Por que há mais mortes neste ano? Por enquanto, os pesquisadores não têm certeza sobre quais fatores podem ter influenciado o número maior deste ano. "A gente não tem informação sobre a quantidade de pinguins que nasce a cada ano lá na Argentina. Não faz parte do nosso monitoramento, mas a gente imagina que a ocorrência, a maior quantidade de pinguins aqui no Brasil está ligada tanto a questões oceanográficas, que é essa questão do transporte dos animais sendo jogados para a costa, quanto questões biológicas, que é a questão da abundância deles lá nas colônias. Então, é uma combinação dos dois que deve trazer mais animais aqui para nossa costa", disse o coordenador. Para tentar descobrir as causas, existe um trabalho de estudo das carcaças encontradas na praia. "Todo animal que chegar, a gente examina. Se ele estiver em boa condição, a gente faz uma necropsia, tenta identificar a causa de morte, e tudo isso é relatado", explicou Barreto. A migração dos pinguins-de-magalhães vai até o meio de setembro. Com todos os números, os pesquisadores terão uma ideia melhor do que ocorreu. "Quando passar a temporada, nós vamos juntar isso com dados ambientais que aconteceram nessa época. E aí a gente vai tentar entender o que foi esse padrão, esse processo de encalhes. Será que eles encalharam mais em momentos de frente fria? Será que eles encalharam mais quando a gente tinha alguma atividade humana acontecendo? Então, isso a gente só consegue fazer depois do evento". O que fazer se encontrar um pinguim na praia? O PMP-BS divulgou orientações sobre o que fazer se encontrar um pinguim na praia: Ligue para a equipe do PMP-BS 0800 642 3341 Não devolva o animal ao mar (provavelmente ele está afogado); Não o coloque em contato com gelo; Não tente alimentá-lo; Afaste animais domésticos; Não faça carinho; Se necessário, mantenha-o em lugar seguro e aquecido até o resgate chegar; Em caso de contato, higienize-se em seguida e não toque mais no animal. A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias