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SC fecha 2025 com maior n° de mortes por policiais em 18 anos; 25% não tinham registros criminais

Em 2025, 100 pessoas morreram em ações policiais em SC Cem pessoas foram mortas durante ações policiais em Santa Catarina em 2025, o maior número da série...

SC fecha 2025 com maior n° de mortes por policiais em 18 anos; 25% não tinham registros criminais
SC fecha 2025 com maior n° de mortes por policiais em 18 anos; 25% não tinham registros criminais (Foto: Reprodução)

Em 2025, 100 pessoas morreram em ações policiais em SC Cem pessoas foram mortas durante ações policiais em Santa Catarina em 2025, o maior número da série histórica, que começou em 2008, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública nesta semana. O aumento de mortes por intervenção policial foi 26% em relação ao ano anterior. Nenhum agente de segurança pública foi morto em confronto entre janeiro a dezembro de 2025. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Especialistas pedem mais transparência às ações policiais Efetividade x excesso de força A alta da letalidade policial contrasta com diferentes visões, que vão desde maior efetividade no combate ao crime até possíveis excessos de força pelos agentes, principalmente diante de comunidades e pessoas vulneráveis. Os dados mostram que dos 100 mortos, 1 de cada 4 - ou 25% -, não tinham antecedentes criminais. O pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), Leonardo Ostronoff, acredita que a formação policial deve ser revisada para reduzir esse índice. “É preciso outra formação das polícias, em que o policial entenda que ele não está em uma guerra, mas que ele está ali para garantir o direito à segurança da população, uma visão cidadã e uma visão voltada para os direitos humanos”, defende. A Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, por sua vez, diz que o crescimento pode estar ligado ao número de operações feitas no ano passado. "Temos dois fatores que são preponderantes. Um é a opção do confronto que vem do próprio criminoso e outro é a questão do número de operações exorbitantes que nós fizemos, mais de 485 mil ao longo do ano, além da própria Polícia Militar aumentando em 82% as suas ações", afirmou o secretário da pasta, Flávio Graff. Rostos por trás da letalidade policial Ernesto Schimidt Neto, conhecido como Betinho e "Anão da Solidão", foi uma das pessoas mortas. Ele havia se envolvido em uma discussão entre vizinhos na Praia da Solidão, em Florianópolis, em janeiro de 2025. De acordo com relatório da Polícia Militar, na época, ele estava com uma faca e teria atacado os policiais. A família dele discorda. “Teve um desentendimento com a inquilina. Mas logo depois ela estava na rua e ele estava trancado dentro de casa, não tava mais tendo nenhum tipo de briga, discussão, nada. Uma 'polícia' chegou, chamou a outra e, no fim, arrombaram a porta, subiram as escadas e, em menos de um minuto, deram quatro tiros e mataram ele", relatou a filha Eduarda Schmitz à NSC TV. Vídeo mostra momento em que PMs atiram contra Betinho, o 'Anão da Solidão' Em abril, um adolescente de 13 anos foi morto durante uma ação policial em Balneário Rincão, no Sul do estado. A PM relatou que agentes faziam patrulhamento quando viram dois homens em atitude suspeita. A dupla fugiu ao ver a viatura, iniciando uma perseguição. Ao serem alcançados, um deles teria apontado uma arma e o policial atirou três vezes, matando Dickson Inacio da Silva. A mãe do adolescente, Sinara Inácio da Silva, diz que o filho não estava armado. "Ele levantou as mãos para cima - porque foram várias pessoas que viram - e dizia ‘não atira’", comentou. Segundo o secretário de Segurança Pública, Flávio Graff, em todos os casos foi feita abertura de inquérito policial para analisar a conduta dos agentes. Dados Antes de 2025, segundo os dados divulgados, o número de vítimas tinha passado de 90 apenas em 2014 e 2018. ➡️ Veja o balanço dos últimos anos: 2022: 44 mortes 2023: 80 mortes 2024: 79 mortes 2025: 100 mortes ➡️ Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que, em 2025, a vítima mais jovem tinha 13 anos e, a mais velha, 61. Menores de 18 anos eram 9%. A Grande Florianópolis registra o maior número de casos: 37 na capital e 7 em Palhoça e São José. "Em todos [casos com mortes] se evidencia a mesma prática, de que há uma reação à ação da polícia e, por vontade do próprio criminoso, ele acaba oferecendo esse risco", pontua o secretário de Segurança Pública. Viatura da PMSC Guilherme Bento/Secom SC VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

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