Réu por feminicídio de Catarina Kasten em trilha de Florianópolis responderá por todos os crimes imputados, após Justiça não aceitar recurso
Justiça mantém acusação de ocultação de cadáver a réu por morte de Catarina Kasten em SC O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) não aceitou o recurso da...
Justiça mantém acusação de ocultação de cadáver a réu por morte de Catarina Kasten em SC
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) não aceitou o recurso da defesa do acusado de estuprar e matar Catarina Kasten em uma trilha de Florianópolis. O pedido era para que fosse excluído o crime de ocultação de cadáver.
Dessa forma, o réu, Giovane Correa Mayer, continuará respondendo a todos os crimes pelos quais foi acusado (veja a lista mais abaixo). O feminicídio aconteceu em novembro de 2025 e o acusado confessou. Ele está preso desde o dia do crime.
A defesa do réu disse em nota que aguarda a íntegra da decisão para analisar a possibilidade de recurso.
✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp
O TJ julgou o recurso na quinta-feira (24). As informações são do Ministério Público do estado (MPSC), que faz a acusação contra o réu. A Justiça já havia decidido que ele irá a júri popular.
Com a decisão do TJ, o réu continuará respondendo pelos seguintes crimes:
feminicídio qualificado por asfixia e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima;
estupro;
ocultação de cadáver.
No julgamento do recurso, o Ministério Público argumentou que há elementos suficientes indicando que o acusado levou a vítima para uma área de mata de difícil acesso e pouco visível, onde o corpo foi encontrado posteriormente.
Também rebateu a alegação de que outras pessoas poderiam ter alterado a cena do crime, afirmando que essa hipótese não possui respaldo nas provas reunidas durante a investigação.
Catarina Kasten, aos 31 anos, era estudante de pós-graduação na UFSC
UFSC/Divulgação
Vítima foi atacada quando ia para aula de natação
O assassinato de Catarina aconteceu em 21 de novembro de 2025, por volta das 7h, perto do acesso à praia do Matadeiro, relata a denúncia do MPSC. Ela saiu de casa por volta das 6h50 para uma aula de natação.
Ao perceber a demora de Catarina para retornar, o companheiro dela chamou a Polícia Militar por volta das 12h. O agora réu foi preso na noite do mesmo dia e confessou o crime.
Segundo a denúncia, o acusado agiu com intenção de matar, envolvendo o pescoço da vítima com um objeto e causando a morte por asfixia. O crime foi cometido depois que a vítima foi violentamente abordada e estuprada e teve como objetivo garantir a ocultação e a impunidade do estupro.
A denúncia também aponta que o crime foi cometido mediante emboscada, pois o acusado, agindo de forma premeditada, se escondeu atrás de uma lixeira para observar a movimentação no local. Depois do feminicídio, ele arrastou o corpo para um ponto de difícil acesso e visualização, em meio à mata e às pedras, longe da trilha.
Natural de Viamão (RS), o réu vivia na região de Florianópolis desde 2019, com familiares. Segundo a Polícia Militar, ele costumava frequentar a trilha onde ocorreu o crime e, no dia dos fatos, relatou ter retornado de uma festa em que havia consumido bebida alcoólica.
Quem era Catarina Kasten?
Catarina era estudante de pós-graduação em Estudos Linguísticos e Literários na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Formada em Letras em Inglês em 2022, ela era professora e já fazia planos para entrar no Doutorado, segundo amigos.
Antes de estudar Letras na UFSC, Catarina foi aluna da Engenharia de Produção, onde integrou o Centro Acadêmico Livre de Engenharia de Produção (CALIPRO).
INFOGRÁFICO: mulher é assassinada em trilha de Florianópolis
Arte g1
O que diz a defesa do réu
Confira a nota da defesa do réu:
A equipe de defesa do Giovane Corrêa Mayer agradece o interesse e contato da mídia.
O Recurso em Sentido Estrito com o objetivo de obter a despronúncia quanto ao crime de ocultação de cadáver, não foi conhecido, o que significa que as razões recursais não foram analisadas.
A íntegra da decisão ainda não foi disponibilizada no processo. A defesa a aguarda para analisar a possibilidade de recurso perante as instâncias superiores.
De todo modo, mesmo que a defesa não obtenha êxito perante os tribunais superiores, a tese de inexistência do crime de ocultação de cadáver será sustentada perante o Tribunal do Júri.
No mais, em relação aos demais crimes imputados ao Giovane e devido ao processo tramitar sob absoluto segredo de justiça, a defesa se reserva o direito de não revelar mais informações.
Atenciosamente,
Estela Fernanda Mazia, Kauane Guerra Mazzia e Uilian Salomão de Andrade
VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias